Temos aqui um tema que relutei em tratar, resolvi fazê-lo de forma simples como tem sido a rotina deste blog, mas farei com cautela para não suscitar a ira nos queridos leitores.
Conversando com algumas pessoas no decorrer da semana passada senti-me cobrado de uma posição quanto aos protestos de ontem, algumas vezes me incomodei demais com este sentimento, mas percebi que a cobrança partia de mim mesmo, precisava responder a pergunta: "porque você (não) vai protestar na avenida?", este dilema me incomodou, fosse ou não fosse, eu precisaria responder a esta pergunta de forma convincente. Havia em mim um verdadeiro debate, totalmente oculto e inútil para as pessoas que me cercavam, afinal quem estaria preocupado com o que eu penso ou deixo de pensar sobre o que eu faço ou não. Pois bem, sobre o debate que se travou em minha mente à ninguém aprouve ter ciência, mas quem sabe sobre as conclusões. Vejamos.
Durante o final de semana, enquanto meus neurônios trabalhavam, não me furtei de todas as praticas que me cabiam na vida familiar e social. Em uma ida ao mercado comprei alguns produtos inflacionados e paguei com meu cartão de débito, como sempre meu filho pediu: "papai, deixa eu apertar o botão verde?", deixei, preocupado por ter gasto quase uma centena de reais em quase nada e feliz por ter esta quantia para gastar. Jantamos com uns amigos e discutimos saborosamente os temas efervescentes da nação, dentre eles, sobre como os políticos desnaturam o uso do dinheiro que julgamos nosso para dar à quem não tem nada, cobrando para isso uma "módica" taxa de administração. Obviamente não chegamos a nenhuma conclusão.
No dia seguinte, após ler algumas matérias de jornal eletrônico pude recordar que há muita gente tentando melhorar as coisas neste país. Há organizações sérias cuidando de crianças; dependentes químicos; biodiversidade; sustentabilidade; associações de bairro cuidando de sua segurança e diversos outros setores de nossa sociedade cuidando de diversas mazelas sociais. Então cheguei a uma simplória conclusão, uma resposta que satisfez os dois lados do meu cérebro e meu coração cristão. Concluí que as vezes agimos como meu querido filho, que diga-se de passagem muito colaborou para esta conclusão. As vezes pedimos singelamente para apenas "apertarmos o botão verde", queremos ser reconhecidos por pagar a conta, por resolver o problema, quando na verdade outras pessoas estão trabalhando.
Por favor, não entenda que eu esteja chamando à todos aqueles que protestaram neste dia 13/3 ("trezedotrês") de desonestos ou protestantes preguiçosos, o faço sim, mas apenas quanto a uma parte dessas pessoas, nem todos são preguiçosos, uns protestam sabendo o que fazem e não restringem isso a um dia de março. Penso que, genericamente, gostamos de fazer "cortesia com o chapéu alheio", manifestamo-nos no domingo cedo e arregaçamos as mangas para o trabalho na segunda, esquecendo de protestarmos das mazelas graves que vemos diariamente. Continuamos fariseus, passando de largo para não sentir o fedor dos mendigos, ou fechando os vidros elétricos nos semáforos não nos envolvendo com a solução real dos problemas.
Digamos que temos um monte de feijões espalhados no chão e, ao vê-los exclamamos: "que absurdo! Protestemos! Quem sabe vejamos o espalhador incauto ser compelido a ajuntar novamente! Não podemos ser nós os responsáveis! Não temos culpa! Não espalhamos!!!". Mas na ótica de Jesus, o Soberano pacificador, "...quem não ajunta, espalha..." sim. Então me conscientizei e começarei a ajuntar mais, me ocupando disso mais do que em simplesmente localizar o culpado pela baderna. Por isso não saí às ruas, por julgar que o protesto diário é mais honesto PARA MIM do que aquele do domingo de manhã. Creio que muda mais a mudança diária.
Como cristão devo agir diariamente contra tudo o que oprime as criaturas de Deus e isto inclui consciência diária e relacionamento intenso com o Mestre, erradicação constante das pequenas corrupções e diminuição do uso de desculpas, tais quais as que ouvi de um empresário dia desses: "se nós formos ser honestos em tudo nós falimos". Prefiro ficar com a suposta frase de Abraham Lincoln: "se não posso ser advogado honesto, serei homem honesto sem ser advogado".
Agora sim digo com veemência, sou tão a favor do protesto de ontem que não pude comparecer sem antes estendê-lo à todas as áreas da minha vida, todos os dias da semana, e não farei isto porque li em algum cartaz bonito, mas porque li na Bíblia que devo me "transformar pela renovação da minha mente"; e que "devemos ser santos como Jesus foi", o que inclui agir e cuidar das viúvas e órfãos e de todos aqueles que, à margem dos que tiveram seus lucros reduzidos, passam fome, não têm esgoto na porta de suas casas, nem discernimento para entender que não parece justo viver dos grãos de feijão espalhados no chão quando outros se fartam de uma boa e farta feijoada. Percebo que não basta ser honesto precisamos lutar pela honestidade e isto não se faz só num domingo de manhã mas todo dia, de forma que em tudo possamos glorificar a Deus. Converti-me novamente? Será?
E você cristão, qual conversão aplicará à sua vida hoje? Não espere o próximo protesto para ir até a avenida. Comece já! Não para sermos vistos por homens ou por Deus, mas simplesmente porque isso é honroso e bom e é a vontade do Soberano e amoroso Deus!
Pensa que melhora? Eu acredito que sim! até breve.

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