segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Morte e Bênção

Bom dia leitor!

Escrevo às portas de uma segunda feira ensolarada e especialmente agradável. Não sei ainda ao certo o motivo de tal entusiasmo, apenas acordei assim!

Nesses últimos tempos, desde minha ultima manifestação literária, tive algumas experiências diferentes no que se refere ao divulgar as boas novas. Pude compartilhar alguns trechos da Bíblia e travar longos debates e deliciosas conversas com cristãos e amigos verdadeiros. Tive momentos de evangelismo também, mas tratarei hoje deste compartilhar com irmãos.

Como é agradável falar do evangelho com o povo da cruz e como aprendemos! Começarei de trás para frente, pela recente e triste visita aos meus amados irmãos em uma cidade que dista de Indaiatuba aproximadas duas horas.

Já no caminho minha esposa e eu pudemos chorar e nos inconformar, refletir e resignarmo-nos. Enfim, foram duas horas que pareceram dez minutos em uma das viagens onde menos pude me ater às belas montanhas e paisagens das estradas do interior paulista. Tudo por causa de uma morte.

O simples fato de um cristão morrer já é um grande gatilho para se falar de Cristo, mas quando o falecimento foi uma opção, esta oportunidade parece multiplicar-se instantaneamente.

Em momentos como este aparecem pessoas que deixam patente sua falta de sensibilidade e crueldade e também aqueles que realmente amam os que sofrem. Tristemente, pude presenciar pessoas condenando ao inferno meu amado amigo falecido por sua infeliz e pecaminosa decisão. Tentei ao máximo me portar como geralmente faço em velórios, inútil, sucumbi a um sentimento que não me arrisco a descrever e não desejo para ninguém.

Nestes dias conversei muito sobre como Deus morreu pelos nossos pecados e de como nós insistimos em praticá-los, justificando, diariamente, a necessidade da morte do Mestre naquela cruz. Pude ver pessoas que crêem veementemente que Jesus não foi o Cristo de todos os pecados, mas só daqueles nos quais o tempo opera e nos conduz à consciência e arrependimento. Quase que uma graça com uma ajuda temporal. O pior é quando essa fé incompleta é exteriorizada para uma família enlutada nestas condições e diz-se que o inferno é o destino daquele a quem não mais poderemos abraçar.

Mas no fim, tenho certeza, esta tragédia cumpriu seu grande propósito, o engrandecimento do Reino! A julgar pelo intenso volume de assuntos, conversas e debates bíblicos nos quais participei, creio firmemente que Deus não se furta de usar até mesmo esses momentos loucos e repletos de crueldade para o bem dos seus. Louvo a Deus por isso e pela grande misericórdia dele.

Algumas semanas antes de viver este momento tão triste, tive o enorme prazer de conhecer a cidade de Curitiba. Viajei por prazerosas oito horas até um lugar de uma beleza e limpeza tão diferente da paulista. 

Estive lá para me alegrar com minha família e celebrar um casamento. Justo eu, que a tantos divórcios presenciei ultimamente, tive o prazer de participar efetivamente da união entre dois cristãos. Uma alegria que nunca me esquecerei! De quebra, ainda tive o grande privilégio de falar de Jesus para meus queridos parentes. A princípio pode parecer meio inócuo, afinal foram eles que me levaram a conhecer o Mestre e a trilhar em seus caminhos estreitos mas, foi algo realmente diferente. E como minha intenção aqui é relatar momentos onde pude pregar o evangelho, não posso deixar de registrar esta grande alegria.

Foi realmente diferente falar sobre como o Senhor deve ser o nosso pastor para meus tios, primos, esposa e pai e vê-los ouvindo atentamente, como se eu pudesse acrescentar algo do evangelho em suas vidas. Mas acho que pude ser usado por Deus sim. Refleti e tive o prazer de constatar algo que sempre pensei, que posso surpreender e ser surpreendido por Deus através de cristãos novos ou velhos, pois ele utiliza tanto instruídos e grandes mestres como o evangelista e médico Lucas, quanto pessoas simples para levar seu evangelho e relembrar suas verdades aos salvos.

Infelizmente pude viver durante minha estada neste planeta diversos momentos onde passei maus bocados por ser julgado inferior intelectualmente, não ter um curso de teologia, ou uma pós-graduação em algum assunto bíblico que me autorizasse a falar. Certa vez, em data longínqua, um pastor praticamente me condenou a morte por falar contra o "anjo da igreja", que ironicamente era ele próprio! Parei para pensar se faço o mesmo em meus relacionamentos. Procurei encontrar na minha mente pessoas que eu pensava terem menos conhecimento de Deus, incrível e infelizmente encontrei algumas, tratei de elevá-las ao meu grau de ignorância. Sugiro que você faça este teste querido leitor, e surpreenda-se com o que, ou quem, você encontrará em sua mente.

Falar do evangelho para o povo da cruz foi reconfortante para mim. Tanto nas oportunidades inúmeras geradas pela triste auto-morte de meu amado irmão, quanto nos alegres momentos de celebração e benção matrimonial em minha família.

Desejo firmemente que você, leitor, seja lembrado de que o conforto do evangelho pode ser usufruído em todos os momentos de nossa existência e de que este conforto pode ser alcançado não apenas ao ouvir grandes mestres, mas também através de pessoas com menos conhecimento que você. Como eu, por exemplo!

Deus te cuide!

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